A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizará, de 19 a 25 de fevereiro, a Semana de Verão de Pesquisa Circense, seminário internacional imersivo que levará atividades ligadas à arte do circo a diferentes espaços do campus de Barão Geraldo. Embora voltado a um grupo específico de convidados, o evento prevê momentos de interação com o público para apresentar parte das discussões e práticas desenvolvidas ao longo da programação.
Coordenada pelo professor Marco Antonio Coelho Bortoleto, da Faculdade de Educação Física (FEF), a iniciativa é organizada pelo Grupo de Pesquisa em Circo (Circus), referência nacional e internacional na área. A proposta surgiu a partir de um seminário realizado pelo grupo em dezembro de 2024 e busca romper com o formato tradicional de congressos acadêmicos.
“A maioria dos encontros científicos acontece em poucos dias e com agendas muito concentradas. Nossa proposta é reunir um grupo menor de pesquisadores por mais tempo, criando condições para debates aprofundados e trocas mais consistentes”, explica Bortoleto.
Carta de recommendação
O principal resultado esperado é a elaboração de uma carta de recomendações, construída coletivamente no último dia do encontro e posteriormente tornada pública. O documento deverá reunir diretrizes para o fortalecimento da pesquisa e das políticas voltadas ao circo, tanto no Brasil quanto em outros países.
As discussões se organizam em torno de quatro eixos centrais: escolas e processos de formação em circo; festivais e eventos culturais; dramaturgia circense; e circo social — vertente que utiliza a linguagem circense como ferramenta de transformação social e na qual o Brasil ocupa posição de destaque.
Ações futuras
Segundo o coordenador, muitos participantes atuam como representantes de associações, redes e centros de formação em seus países, o que amplia o alcance das recomendações. A expectativa é que o documento circule em diferentes instituições e contribua para orientar ações futuras.
Com mais de duas décadas de atuação, o Grupo de Pesquisa em Circo acumula produção acadêmica expressiva, incluindo livros, artigos e orientações de mestrado e doutorado. O coletivo também participa da formulação de políticas públicas e desenvolve ações interdisciplinares que articulam arte, educação, saúde e assistência social.
Para Bortoleto, o crescimento do interesse pelo tema é evidente. “Nunca houve tantas escolas, artistas e pesquisadores envolvidos com o circo. Em um mundo cada vez mais tecnológico, ele se destaca por reconectar as pessoas com o corpo e com a experiência direta, além de dialogar com diferentes áreas do conhecimento”, afirma.