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Gustavo Feliciano assume Ministério do Turismo

por Editor 23 de dezembro de 2025
23 de dezembro de 2025
Representante do União, Gustavo Feliciano assume ministério | Foto: Ricardo Stuckert / PR
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A posse de Gustavo Feliciano no comando do Ministério do Turismo, nesta terça-feira (23), ocorre em meio a um rearranjo político que escancarou as contradições recentes do União Brasil na relação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A troca no comando da pasta sucede a saída de Celso Sabino, afastado após desgastes com o próprio partido, que inicialmente anunciou rompimento com a base governista, mas voltou atrás e indicou um novo nome para a Esplanada.

O episódio reforça questionamentos sobre a coerência da estratégia do União Brasil, seu peso real dentro do governo e o posicionamento que a sigla pretende adotar de olho em 2026.

Vai-e-volta

A crise começou quando Celso Sabino foi expulso do União Brasil por decidir permanecer no governo, mesmo após a sigla anunciar que deixaria a base aliada. Ainda assim, Sabino seguiu à frente do Ministério do Turismo, inclusive na condução de agendas estratégicas, como a preparação da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorreu em Belém (PA). Às vésperas do fim do ano, porém, foi comunicado de que Sabino deixaria o cargo antes do prazo legal, que permitiria sua permanência até abril de 2026.

Paralelamente, o partido recuou do afastamento do governo e indicou Gustavo Feliciano para assumir a pasta, movimento interpretado como tentativa de preservar espaço político e acesso à Esplanada em um cenário pré-eleitoral.

Posse

Escolhido por Lula para substituir Sabino, Gustavo Feliciano tomou posse destacando a confiança do presidente e o caráter social do turismo. “Esse governo está do lado do povo. O turismo tem que ser do povo e para o povo, gerar emprego e renda. Turismo não pode ser só de rico”, afirmou o novo ministro.
Em seu discurso, Feliciano agradeceu ao União Brasil e ao presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB), citou a experiência como secretário de Turismo da Paraíba e defendeu a ampliação do turismo internacional. “Quanto mais turismo, mais igualdade, mais emprego, mais renda, mais desenvolvimento”, disse, ao afirmar que o Brasil tem potencial para se tornar uma potência no setor, da Amazônia ao Sul do país.

Balanço

Ao se despedir do cargo, Celso Sabino fez um balanço da gestão e agradeceu ao presidente Lula. “A palavra gratidão me vem à cabeça. Gratidão a Deus e gratidão a Lula pela oportunidade e pela confiança”, declarou. Ele citou a geração de empregos no setor, investimentos de cerca de R$ 2 bilhões em pequenos negócios, a entrada de capital estrangeiro, além do fortalecimento institucional do turismo brasileiro no cenário internacional.

Sabino também destacou a realização da COP 30, rebatendo críticas sobre a falta de infraestrutura. “Quando disseram que não haveria hospedagem, demos um show. Teve hospedagem para todo mundo”, afirmou, ao elogiar o papel direto de Lula na promoção do Brasil no exterior.

Análise

Para o cientista político Eduardo Galvão, professor de políticas públicas do Ibmec Brasília, o episódio evidencia um problema estrutural na estratégia do União Brasil. “Isso evidencia fragilidade de coesão e de estratégia, porque o partido tentou produzir um gesto político forte, anunciar afastamento, expulsar o próprio ministro por não seguir a orientação e, pouco depois, operar para manter o espaço no governo por meio de uma nova indicação”, analisa.

Segundo Galvão em conversa com o Correio da Manhã, o movimento não é apenas uma contradição narrativa, mas um sinal de indefinição: “É um partido que ainda não decidiu se quer ser governo, oposição ou algo no meio, que costuma ser o lugar mais confortável, mas também o mais instável em termos de identidade.”

Sobre o peso do União na Esplanada, o especialista avalia que a sigla mantém relevância, mas sem controle absoluto. “O episódio sugere um peso relevante, mas não soberano. O governo mostrou que pode reorganizar o tabuleiro e redesenhar o arranjo sem ficar refém de uma única sigla”, afirma o professor. Na avaliação de Eduardo Galvão, o União Brasil chega a 2026 com um posicionamento ambíguo: pragmático para negociar, mas com custo político na previsibilidade e na imagem perante eleitores e aliados.

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