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Empresa de médico que matou dois mantém contratos milionários com a Prefeitura de Campinas

por Editor 20 de janeiro de 2026
20 de janeiro de 2026
Crime em Barueri, na Grande São Paulo | Foto: Reprodução/TV Globo
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A prisão do médico e empresário Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, acusado de matar a tiros dois colegas de profissão em frente a um restaurante em Alphaville, em Barueri, reacendeu questionamentos sobre contratos públicos firmados por sua empresa, a Cirmed Serviços Médicos, com administrações municipais, entre elas a Prefeitura de Campinas.

O crime ocorreu na noite de sexta-feira (16), após um encontro entre os três médicos que evoluiu para uma discussão e agressões físicas no interior do estabelecimento, o que levou ao acionamento da Guarda Civil. Segundo as investigações, após a intervenção, os agentes não encontraram armamento com o autor dos disparos. Porém, após a saída do grupo do local, Carlos Alberto Azevedo Filho teve acesso a uma arma de fogo e efetuou diversos disparos contra Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, que morreram ainda na via pública. O autor dos tiros foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça. Ele foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça.

Em depoimento à TV Globo, o delegado responsável pelo caso, Schiffmann, afirmou que uma das linhas de apuração aponta para um conflito empresarial entre os envolvidos, relacionado à disputa por contratos de prestação de serviços médicos. Pellegrini era proprietário de uma empresa concorrente da Cirmed, enquanto Vinicius atuava como coordenador médico da mesma companhia.

Em Campinas, a Cirmed mantém dois contratos ativos com a Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar, que somam cerca de R$ 80 milhões. Um deles, no valor de aproximadamente R$ 51 milhões, prevê a prestação de serviços médicos e multiprofissionais no Hospital Ouro Verde, incluindo atendimento em pronto-socorro, especialidades, exames cardiológicos e assistência domiciliar, além do fornecimento de equipamentos e transporte. O segundo contrato, de cerca de R$ 29 milhões, é voltado à prestação de serviços de anestesiologia nos hospitais Ouro Verde, Mário Gatti e Mário Gattinho.

Ambos os contratos foram firmados por meio de licitação e têm vigência de até três anos. Em um dos processos, houve questionamento judicial apresentado por uma empresa concorrente, que alegava a existência de sanção administrativa aplicada à Cirmed em Porto Alegre. À época, a Justiça concedeu liminar suspendendo a execução do contrato, mas a decisão foi revertida posteriormente, sob o entendimento de que a penalidade não impediria a participação da empresa em licitações no Estado de São Paulo.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Cirmed classificou o caso como um “fato pessoal e isolado” envolvendo um de seus sócios e afirmou que o episódio não reflete os valores da instituição nem afeta suas operações, contratos ou rotinas internas. A empresa garantiu ainda que os serviços prestados continuarão normalmente, mas não detalhou quem assumiu a direção executiva do grupo após o afastamento do médico.

Além dos contratos em Campinas, a Cirmed também mantém relações comerciais com a Fundação ABC, entidade que administra serviços de saúde em municípios do ABC Paulista. A fundação foi citada em investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Estafeta, que apura suspeitas de corrupção em contratos públicos em São Bernardo do Campo. A Fundação ABC nega qualquer irregularidade, afirma não ser alvo da investigação e declarou não manter contrato vigente com a Cirmed no município.

As investigações sobre o duplo homicídio seguem sob responsabilidade da Polícia Civil, que apura as circunstâncias do crime e as motivações do ataque. Enquanto isso, o caso lança luz sobre a atuação de empresas privadas na gestão de serviços públicos de saúde e sobre os mecanismos de controle e fiscalização adotados pelos municípios em contratos de alto valor.

Prefeitura

Segue, na íntegra, a resposta da Rede Mário Gatti, autarquia municipal responsável pela gestão hospitalar da Prefeitura de Campinas, que reúne os principais serviços públicos de saúde do município, como os hospitais Mário Gatti e Ouro Verde, a unidade pediátrica Mário Gattinho, as UPAs e o Samu.

O fato envolvendo Carlos Alberto Azevedo Silva Filho não traz prejuízo à continuidade dos serviços essenciais e contínuos que vêm sendo prestados pela Cirmed, nem das obrigações contratuais, legais e regulatórias a ela aplicáveis.

Em dezembro de 2025, a Cirmed Serviços Médicos Ltda solicitou na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), a retirada de Carlos Alberto Azevedo Silva Filho do quadro societário.

Em relação aos contratos em vigência da Cirmed com a RMG, em 6 de janeiro de 2026 foi solicitada a troca do preposto ( substituição da pessoa física designada pela empresa contratada para representá-la perante o contratante). Atualmente, o representante da empresa perante à administração pública é Rodrigo Navarro Romero. A situação com a empresa é regular e legal.

A RMG possui dois contratos em vigência com a Cirmed por meio de processos licitatórios: para prestação de serviços médico e multiprofissionais na área de linha de cuidados clínicos adulto: especialidades, exames cardiológicos e serviço de atendimento domiciliar, com fornecimento de equipamentos e transporte para o Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (Ouro Verde).O início do contrato foi em 25 de novembro de 2025 e possui vigência de 24 meses. (Processo HMMG.2025.00002091-66)

O outro contrato com a Cirmed é para a prestação de serviços médicos na área de anestesiologia, com fornecimento de equipamentos para o Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (Ouro Verde) e prestação de serviços médicos – em caráter complementar- na área de anestesiologia para o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti e Unidade Pediátrica Mário Gattinho. O início do contrato foi em 5 de agosto de 2025 e tem vigência de 36 meses. (Processo HMMG.2024.00003442-84)

A empresa já esclareceu, em nota à imprensa, que o ocorrido não corresponde aos valores e princípios da instituição. Os lamentáveis fatos são relativos ao âmbito estritamente pessoal de um de seus sócios administradores. Dessa forma, não devem ser confundidos com as atividades institucionais, assistenciais, operacionais, contratuais ou das rotinas internas por ela desenvolvidas.

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