O campus da Unicamp em Barão Geraldo passou a contar com um novo sistema de iluminação pública inteligente. A estrutura, inaugurada nesta segunda-feira (8), recebeu investimento de R$ 5 milhões por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) e deve reduzir em aproximadamente 70% o consumo de energia destinado à iluminação do campus. A economia anual estimada para a universidade é de até R$ 1 milhão.
A modernização incluiu a troca de cerca de 2,5 mil luminárias antigas de vapor de sódio por equipamentos de LED com maior eficiência energética. O projeto foi coordenado pelo professor Luiz Carlos Pereira da Silva, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), que também atua à frente do programa Campus Sustentável, vinculado à Diretoria Executiva de Sustentabilidade (DExS).
A cerimônia de inauguração foi realizada na Casa do Lago e contou com a presença do reitor Paulo Cesar Montagner. Após o evento, os participantes fizeram uma visita técnica a diferentes áreas do campus para conhecer o novo sistema.
Segundo Montagner, a modernização da iluminação integra um conjunto de iniciativas voltadas à sustentabilidade na universidade, que inclui ainda o uso de veículos elétricos e projetos de geração de energia limpa. Para o reitor, essas ações fortalecem o papel da Unicamp como referência em pesquisa aplicada e podem servir de exemplo para outras instituições de ensino e centros tecnológicos do país.
Telegestão
Além da economia, o novo sistema incorpora tecnologias de telegestão que permitem monitorar e controlar remotamente cada luminária. Sensores conectados enviam informações em tempo real para uma plataforma digital, possibilitando acompanhar o consumo individual, identificar falhas instantaneamente e otimizar a manutenção da rede.
Outra inovação é a possibilidade de ajustar a intensidade da iluminação ao longo da noite, reduzindo o consumo em horários de menor circulação de pessoas, sempre dentro dos parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas.
O novo sistema também permite transformar a rede de iluminação em uma multiplataforma de dados. Entre as novas aplicações estão radares para monitoramento do fluxo de veículos nas guaritas do campus, por exemplo, e a integração de sensores capazes de coletar dados ambientais e de segurança. A infraestrutura ainda permite a instalação de câmeras de monitoramento e sensores acústicos para diferentes aplicações urbanas.
“A ideia é transformar a Unicamp em um laboratório vivo de pesquisa, desenvolvimento e demonstração de tecnologias voltadas à iluminação pública e às cidades inteligentes. A Universidade pode se tornar uma referência dessa área no país. Além de reduzir o consumo de energia e os custos operacionais, o sistema produzirá uma grande quantidade de dados que poderão ser utilizados em pesquisas de graduação, pós-graduação e projetos de inovação”, afirmou Silva.
Meio ambiente
Em relação ao impacto ambiental, o novo conjunto de iluminação implantado no campus de Barão Geraldo utiliza duas diferentes temperaturas de luz (tonalidade da cor emitida por uma fonte luminosa, sem relação com o calor físico da lâmpada): 4 mil Kelvin nas vias e avenidas, onde a segurança viária é prioridade, e 3 mil Kelvin nas áreas de mata, consideradas mais suscetíveis. Quanto menor a temperatura, mais amarelada é a luz.
“Essa atual temperatura de 4 mil Kelvin é conhecida como branco neutro e é uma das mais utilizadas em projetos de iluminação pública. Embora seja considerada mais confortável que os modelos anteriores, se diferencia dos tons amarelados que marcaram sistemas antigos, como as luminárias de vapor de sódio”, explicou o professor da FEEC, afirmando estar atento às possíveis mudanças de padrões.
“A expectativa é que futuras revisões normativas incentivem o uso de temperaturas ainda mais baixas, como 2,7 mil Kelvin em vias urbanas e 2,2 mil Kelvin em áreas ambientais. Entretanto, a indústria ainda não possui escala de produção suficiente para oferecer essas soluções”, comentou Silva.
As informações são do Jornal da Unicamp