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Tarcísio de Freitas defende romper contrato da Enel para proteger SP

por Editor 18 de dezembro de 2025
18 de dezembro de 2025
Governador durante apresentação do balanço anual de sua gestão | Foto: João Valério/Governo de SP
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (18) que a única solução para resolver os problemas recorrentes no fornecimento de energia no estado é o rompimento do contrato com a Enel, distribuidora responsável por 24 municípios, incluindo a capital. Em coletiva de imprensa, ele afirmou que a medida é necessária para proteger os consumidores e criticou a possibilidade de renovação do contrato em 2028, classificando-a como um “deboche” diante da população.

“Só tem uma forma de proteger o cidadão de São Paulo: é varrer a Enel daqui. É impossível ficar pior”, declarou. Segundo ele, a caducidade do contrato interrompe qualquer discussão sobre prorrogação e é fundamental para garantir que o estado não permaneça refém da concessionária. O governador acrescentou que o processo será acompanhado de perto, e que está pronto para recorrer à Justiça caso a regulação não avance de forma satisfatória.

Na terça-feira (16), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciaram formalmente à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o pedido de caducidade do contrato. A agência informou que utilizará um processo aberto em 2024 para acelerar a análise, incluindo diagnóstico das falhas e direito de defesa da concessionária. Em nota, a Enel disse estar disposta a investir na modernização da infraestrutura e defendeu a continuidade de suas operações no estado.

Tarcísio ressaltou que a responsabilidade agora passa para o governo federal, que deve conduzir o processo de caducidade. “A partir do momento em que eles assumem que precisam realmente iniciar o processo, a bola está com eles”, afirmou. O governador reforçou que o objetivo é garantir que o contrato não seja prorrogado, considerando que a concessão atual, segundo ele, trouxe prejuízos ao serviço e à população paulista.

O pedido formal à Aneel ocorre após um histórico de falhas e interrupções que afetam milhões de consumidores. O último episódio relevante aconteceu em 9 de dezembro, quando aproximadamente 2,2 milhões de clientes ficaram sem energia elétrica, e parte da população aguardou mais de cinco dias pelo restabelecimento completo do serviço. Ocorrências semelhantes foram registradas em 2023 e 2024, evidenciando a persistência de problemas.

Relatórios da Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp) apontam que desde 2019 os consumidores enfrentam falhas sucessivas na rede elétrica. A fiscalização identificou precarização da infraestrutura, queda expressiva no número de funcionários — 51,55% nos últimos cinco anos — e insuficiência de investimentos, que impactam diretamente a qualidade do serviço. Além disso, sete dos 11 Planos de Resultados da Enel foram reprovados pela Aneel, indicando dificuldades em cumprir metas e melhorar a prestação de serviço.

O Tribunal de Contas do Município de São Paulo reforça que, apesar das multas aplicadas à distribuidora, que ultrapassam R$ 400 milhões nos últimos sete anos, os serviços não apresentaram evolução significativa. Para o governo estadual, esses dados evidenciam a incapacidade da empresa em atender aos padrões mínimos de qualidade e segurança exigidos pela legislação e pela população.

O prefeito Ricardo Nunes destacou que a prioridade é proteger os consumidores e agilizar o processo de caducidade. Ele classificou a reunião com o governo estadual e a União como positiva, ressaltando a necessidade de atuação coordenada em situações adversas, como eventos climáticos extremos. O ministro Alexandre Silveira reforçou a importância de uma ação conjunta entre União, estado e município para pressionar a regulação e obter uma resposta célere da Aneel.

A expectativa das autoridades é que, com a caducidade, seja possível iniciar o processo de licitação para escolha de uma nova concessionária, oferecendo aos paulistas um serviço de energia elétrica mais confiável, eficiente e estruturado. Especialistas do setor apontam que a substituição da distribuidora pode representar um passo significativo para a reestruturação do setor elétrico paulista, com impactos positivos tanto na infraestrutura quanto na segurança e continuidade do fornecimento.

Além do impacto imediato para os consumidores, a medida é vista como um alerta sobre a necessidade de maior fiscalização e acompanhamento da prestação de serviços essenciais no estado. A atuação da Arsesp e da Aneel, combinada com ações de transparência e accountability, é apontada como fundamental para evitar novos episódios de interrupções prolongadas e prejuízos econômicos e sociais.

Com a caducidade em análise, o foco permanece em garantir a estabilidade do fornecimento de energia elétrica, reduzir transtornos e criar condições para investimentos que modernizem a rede e aumentem a eficiência do serviço, beneficiando milhões de paulistas e fortalecendo a confiança da população no setor elétrico estadual.

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