A Prefeitura de São Paulo apresentou um plano integrado de intervenções urbanas, sociais e ambientais voltado ao Complexo Paraisópolis, na Zona Sul da capital. A proposta organiza investimentos em infraestrutura, habitação, equipamentos públicos e meio ambiente e marca uma nova etapa da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, que passa a destinar recursos para uma das maiores comunidades da cidade.
O plano será submetido à consulta pública, etapa prevista para ampliar a transparência, garantir a participação social e incorporar contribuições da população antes da consolidação das ações. A iniciativa está inserida na ampliação do perímetro da Operação Urbana Faria Lima, autorizada pela Lei Municipal nº 18.175/2024, que incluiu Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro entre as áreas aptas a receber investimentos.
Os recursos para execução do programa têm origem no leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção realizado em agosto, que arrecadou R$ 1,6 bilhão. O montante será direcionado a obras estruturais com foco na melhoria das condições urbanas e na integração do território ao restante da cidade.
O projeto está organizado em três eixos principais, concebidos para atuar de forma articulada no território. A estratégia prevê intervenções de médio e longo prazo com o objetivo de enfrentar déficits históricos de infraestrutura, reduzir desigualdades urbanas e ampliar o acesso da população a serviços públicos.
No eixo de infraestrutura, o plano contempla a abertura e requalificação de até 17,8 quilômetros do sistema viário, incluindo melhorias em ruas e calçadas, enterramento de redes aéreas, modernização da iluminação pública, drenagem, saneamento básico e arborização. Entre as obras previstas está o prolongamento da Avenida Hebe Camargo, com 1,2 quilômetro de intervenções viárias, ampliando a conectividade local e facilitando o acesso à estação São Paulo–Morumbi do metrô. Também estão incluídas intervenções nos córregos Antonico e Colombo, com etapas já em execução.
O eixo habitacional prevê a conclusão de empreendimentos em andamento, a construção de novos conjuntos residenciais e a remoção de famílias que vivem em áreas de risco. Entre os projetos em desenvolvimento estão o Vila Andrade E, com 413 unidades habitacionais, e o Conjunto Habitacional Sanfona, com 399 moradias. O plano também inclui o mapeamento de terrenos disponíveis para viabilizar entre 2 mil e 3 mil novas unidades por meio do programa Pode Entrar.
A ampliação da rede de equipamentos públicos integra outro eixo do programa. Estão previstas a implantação do Pavilhão Cultural do Grotão, com 7,5 mil metros quadrados, a requalificação da Casa Hans Broos como espaço cultural e artístico e a instalação de novos serviços de saúde, como uma Unidade de Pronto Atendimento 24 horas e um Centro de Atenção Psicossocial. O projeto também prevê novos equipamentos educacionais, esportivos e sociais.
No eixo ambiental, o plano inclui a implantação do Parque Linear Itapaiúna, ações para ampliar a cobertura vegetal e medidas de adaptação climática. Estudos técnicos indicam que Paraisópolis pode registrar temperaturas até 5 °C superiores às de bairros vizinhos, como o Morumbi, o que reforça a necessidade de investimentos em arborização, drenagem urbana, manejo de águas pluviais e soluções sustentáveis.
Desde o fim de 2024, a Prefeitura tem promovido processos de escuta ativa com moradores do complexo, envolvendo diferentes grupos sociais, como crianças, jovens, mulheres e lideranças comunitárias. O objetivo é alinhar as intervenções às demandas locais e fortalecer a participação da sociedade civil.
Para coordenar as ações, foi criado um grupo de trabalho intersecretarial responsável pelo planejamento integrado, definição de prioridades e acompanhamento das obras. O Grupo de Gestão da Operação Urbana Faria Lima, composto por representantes do poder público e da sociedade civil, também participa do processo de avaliação e aprimoramento das propostas, que buscam promover desenvolvimento urbano com inclusão social em Paraisópolis.