Crimes de feminicídio registrados na noite de quarta-feira (21) em cidades da região de Campinas evidenciam a violência extrema contra mulheres no interior paulista. Os casos ocorreram em Campinas e em Itatiba e resultaram na morte de duas pessoas, além de deixar uma mulher gravemente ferida e crianças hospitalizadas.
Em Campinas, um faxineiro de 28 anos atacou a ex-companheira a facadas e matou o atual namorado dela no bairro Vila Proost e Souza. A mulher, uma atendente de 27 anos, sofreu ferimentos no tórax, na coxa e na boca, além de perda dentária em decorrência das agressões. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Clínicas da Unicamp.
O namorado da vítima, o ajudante-geral Gabriel Araújo Claudino, de 19 anos, foi atingido por diversos golpes de faca e chegou a ser levado ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, mas não resistiu aos ferimentos. Conforme o registro da ocorrência, o agressor afirmou que atacou o jovem por considerá-lo negligente com a segurança da filha que ele tem com a ex-companheira.
Horas depois, um segundo crime foi registrado em Itatiba, também no interior de São Paulo. Um homem de 23 anos matou a vizinha, de 41 anos, a facadas na Vila Santa Clara, onde ambos moravam em casas localizadas no mesmo quintal. Após o ataque, ele fugiu levando os três filhos, de oito anos, dois anos e um bebê de oito meses, no carro da vítima.
Durante a fuga, já na cidade de Jaguariúna, o homem jogou o veículo contra o muro de uma residência, provocando um forte impacto. Segundo o relato da ocorrência, a colisão foi intencional e teve como objetivo matar as crianças e cometer suicídio. Os três filhos ficaram feridos e permanecem internados. O estado de saúde deles não foi divulgado.
Estado de SP registra o maior número de feminicídios e agressões contra mulheres da história
Os crimes de feminicídio em São Paulo chegaram a 233 casos no acumulado de janeiro a novembro deste ano, a maior marca desde o início da série histórica, em 2018. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Somente no mês de novembro, foram registrados 26 feminicídios no estado, número inferior ao do mesmo período do ano passado, quando houve 35 ocorrências. A capital paulista contabilizou cinco casos no mês e chegou a 58 registros no acumulado do ano, ultrapassando novamente o recorde anterior.
As agressões contra mulheres classificadas como lesão corporal dolosa também atingiram o maior patamar desde 2012, com 61.474 registros nas delegacias em todo o estado. Apenas em novembro, foram 5.936 ocorrências, contra 5.522 no mesmo mês de 2024. A comparação desconsidera 2011, quando os dados começaram a ser divulgados apenas a partir de setembro.
Os números indicam que 2025 pode encerrar como o ano mais violento para mulheres em São Paulo, marcado por crimes de extrema brutalidade. Entre os casos recentes está o de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu após permanecer 25 dias internada. Ela foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por um homem apontado como ex-companheiro por familiares e amigos. Durante a internação, teve as duas pernas amputadas.
Outro caso ocorreu em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde Tatiana Aparecida Vieira, de 40 anos, foi encontrada morta dentro de casa. O principal suspeito é o ex-companheiro, e a vítima possuía ferimentos no rosto e no pescoço. Já na capital paulista, Sueli Araújo de Souza, de 42 anos, foi morta com mais de 20 disparos enquanto estava em uma adega no Grajaú, na zona sul.
Os registros de estupro também permanecem elevados. No acumulado do ano, o estado contabilizou 13.355 ocorrências, número semelhante ao de 2024, com variação de 0,9% para baixo. Em novembro, foram 260 casos.