Disparate I
A decisão da Câmara Municipal de Campinas de recorrer da liminar judicial que determina a redução de assessores parlamentares revela um distanciamento preocupante entre as prioridades do Legislativo e as carências imediatas da população local, que custeia a máquina pública.
Disparate II
Em vez de acatar a determinação, o Legislativo optou por contestar a ordem judicial, apelando para segunda instância, sob o argumento de que a redução imediata compromete o bom andamento dos trabalhos de apoio aos parlamentares – postura que é, no mínimo, um acinte ao cidadão campinense.
Disparate III
É inadmissível que o poder público mobilize esforços jurídicos para preservar cargos políticos enquanto o principal hospital municipal da cidade enfrenta crises severas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além da falta de insumos e de infraestrutura para o atendimento aos pacientes, que aguardam horas nas filas.
Disparate IV
O contraste é grotesco: de um lado, a luta pela manutenção de braços direitos em gabinetes para produção de inutilidades, como, por exemplo, a comissão de honraria, que concede diplomas que, na prática, para o povo, não servem para nada; e, de outro, a luta de famílias por leitos e assistência médica mínima.
Disparate V
O recurso protocolado pela Câmara tenta justificar o injustificável ao tratar cargos de livre nomeação como peças indispensáveis, ignorando que a folha de pagamento do Legislativo é alimentada pelos mesmos impostos que deveriam garantir os serviços públicos.
Disparate VI
Ao insistir na manutenção desses postos, a Câmara vira as costas para urgência das ruas. A população, que já arca com tributos elevados, é violentada por burocracias inúteis em detrimento da saúde e da vida. A função do Legislativo é representar o povo; e não manter privilégios.