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Prefeitura não renova contrato de motolâncias do Samu e serviço será encerrado em Campinas

por Editor 18 de fevereiro de 2026
18 de fevereiro de 2026
Prefeitura não renova contrato de motolâncias do Samu e serviço será encerrado em Campinas. Na imagem, motolâncias do Distrito Federal | Foto: Breno Esaki/Agência Brasília
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A Prefeitura de Campinas não vai renovar o contrato das motolâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), serviço realizado por motocicletas usadas em atendimentos de emergência. O contrato de locação das duas motos termina em 28 de fevereiro e, a partir de 1º de março, o atendimento nessa modalidade será descontinuado.

A decisão foi criticada por vereadores da oposição, que apontam risco de prejuízo à agilidade nos atendimentos de urgência e emergência na cidade. O vereador Wagner Romão (PT) publicou nas redes sociais que a suspensão do serviço representa um retrocesso na rede de urgência. “Cortar a motolância é cortar tempo, e em emergência, tempo é vida”, escreveu.

Em entrevista, Romão afirmou que o serviço é fundamental principalmente nos primeiros socorros de vítimas de traumatismos, acidentes de trânsito e paradas cardiorrespiratórias.

“Hoje, a Rede Mário Gatti oferece esse serviço que é extremamente importante para os primeiros socorros de vítimas de traumatismos, de acidentes de carro, de paradas cardiorrespiratórias, onde a moto ajuda a encontrar brechas no trânsito, quando há necessidade de um socorro urgente. Isso realmente salva vidas”, afirmou.

Segundo o vereador, estudos indicam que, em casos de parada cardiorrespiratória, cada minuto de espera reduz em cerca de 10% as chances de sobrevivência.

Romão também questionou o argumento financeiro apresentado pela rede. De acordo com ele, o aluguel das duas motos custa pouco menos de R$ 6 mil por mês, incluindo seguro e veículos reserva.

“Queremos saber como estão as contas da Rede Mário Gatti. Será que a rede não pode despender menos de R$ 6 mil para continuar um serviço que é tão importante para salvar vidas na cidade?”, disse. O parlamentar informou que protocolou requerimento pedindo informações detalhadas sobre a situação orçamentária.

A vereadora Fernanda Souto (PSOL) também classificou como “gravíssimo” o anúncio do fim do serviço. “Quem atua na urgência e emergência sabe que cada minuto faz diferença entre a vida e a morte. A motolância chega antes da ambulância, inicia os primeiros procedimentos, estabiliza o paciente e garante o atendimento imediato até que o suporte completo chegue”, publicou.

Ela afirmou ainda que, apesar da justificativa de falta de recursos, a Prefeitura registrou aumento de receitas correntes nos últimos dois anos, e que a decisão refletiria uma questão de prioridade política.

O que diz a Prefeitura

Em nota, a Rede Mário Gatti informou que o contrato de locação das duas motolâncias termina em 28 de fevereiro. Segundo o órgão, a empresa prestadora do serviço não demonstrou interesse na renovação, e nenhum outro fornecedor manifestou disponibilidade para assumir o contrato.

A partir de 1º de março, os cinco enfermeiros que atuavam nas motolâncias passarão a integrar as equipes das ambulâncias do Samu.

A rede informou ainda que estuda buscar financiamento junto ao Ministério da Saúde para realizar nova licitação no futuro.

Como funciona o serviço

As motolâncias não transportam pacientes, mas são equipadas com materiais para primeiros socorros e circulam com sirenes, como as ambulâncias. O trabalho é feito em dupla: duas motos saem juntas, cada uma levando parte dos equipamentos necessários para o atendimento inicial.

Pilotadas por profissionais de enfermagem com treinamento em urgência e condução de motocicletas, elas conseguem se deslocar com mais rapidez no trânsito, especialmente em horários de pico.

Reportagem do portal G1 Campinas, publicada em julho de 2025, mostrou que as motolâncias reduziam em até 10 minutos o tempo de resposta entre o chamado e o início do socorro. Segundo os socorristas, a estimativa é que as motos cheguem de cinco a dez minutos antes das ambulâncias, dependendo do trânsito e da localização da ocorrência.

As equipes atendiam, em média, quatro chamados por dia. A maior parte das ocorrências envolve traumas, como acidentes de trânsito e quedas, além de emergências clínicas, como paradas cardiorrespiratórias, convulsões e hipoglicemias.

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