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MP apura superlotação e tumulto em megablocos do pré-Carnaval

por Editor 9 de fevereiro de 2026
9 de fevereiro de 2026
Concentração do Bloco Baixo Augusta | Foto: Rafael Chinaglia
321

O Ministério Público de São Paulo instaurou procedimento para apurar a superlotação registrada na rua da Consolação, no centro da capital, durante a passagem de dois megablocos no pré-Carnaval deste domingo. A apuração foi aberta pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo após a circulação de vídeos e relatos que mostraram foliões prensados contra grades de contenção, desmaios e dificuldades de circulação na via.

A Consolação, tradicional palco do desfile do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta no domingo anterior ao Carnaval, também recebeu neste ano um megabloco patrocinado por uma cervejaria, com trios elétricos e atrações musicais de grande alcance nas redes sociais. A expectativa de público elevado atraiu milhares de jovens à região ao longo da manhã e da tarde.

A autorização para a realização simultânea de dois megablocos na mesma via havia sido alvo de críticas ainda na fase de planejamento, no fim de janeiro. Moradores, comerciantes e frequentadores da região manifestaram preocupação com a capacidade da rua de absorver o volume estimado de foliões, especialmente diante da proximidade de horários de concentração e da limitação de rotas de dispersão.

A apreensão se confirmou durante o evento. Grades de isolamento foram derrubadas em meio ao empurra-empurra, e parte do público ficou comprimida entre estruturas metálicas, muros e fachadas de prédios. Pessoas passaram mal e houve relatos de dificuldade para acessar postos de atendimento médico instalados no entorno.

Com menos de 40 metros de largura entre as calçadas em alguns trechos, a rua da Consolação é cercada por edificações altas e muros contínuos. Áreas que poderiam funcionar como válvulas de escape para o público, como a praça Roosevelt, estavam isoladas por tapumes, o que reduziu as possibilidades de escoamento em momentos de pico.

O tumulto mais intenso ocorreu nas proximidades do ponto de concentração do megabloco que tinha como principal atração o DJ escocês Calvin Harris. O avanço do trio elétrico foi interrompido por longos períodos ao longo do início da tarde, o que agravou a aglomeração. Artistas chegaram a suspender apresentações diante do número de pessoas passando mal.

Durante a confusão, foliões tentaram escapar escalando grades de imóveis e portões residenciais. Parte do público invadiu a área externa da Escola Paulista de Magistratura após a queda das estruturas de contenção. Em outros pontos, participantes se seguraram em portões e grades para conseguir respirar.

As paralisações causaram atrasos em cadeia. A apresentação principal do megabloco só começou no meio da tarde, mais de uma hora depois do previsto. O atraso afetou diretamente o desfile do Acadêmicos do Baixo Augusta, que também tinha saída programada para a Consolação e teve o início adiado em cerca de duas horas.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, um plano de contingência foi acionado durante o evento, com bloqueio de novos acessos à via, abertura de ruas transversais para dispersão do público e atuação da Guarda Civil Metropolitana no controle do deslocamento dos trios elétricos. A gestão municipal afirmou que o primeiro fim de semana do pré-Carnaval teve poucas ocorrências diante do volume de pessoas.

Antes do evento, a estrutura prevista para os desfiles na Consolação já havia sido questionada por parlamentares. Uma vereadora enviou ofício à prefeitura alertando para o risco de superlotação decorrente da sobreposição de dois blocos de grande porte no mesmo local. O documento destacava o potencial de público elevado, impulsionado por atrações musicais de alcance nacional e internacional.

O alerta apontava preocupação com os horários de concentração e dispersão, além do impacto logístico no cruzamento da Consolação com a avenida Paulista, considerado um ponto sensível da região. A parlamentar solicitou detalhes sobre planos de contingência e avaliou a necessidade de ajustes nos horários para reduzir riscos aos foliões e ao entorno.

Em resposta, a prefeitura informou que adotou medidas de planejamento operacional, com reuniões envolvendo forças de segurança, órgãos de trânsito, Metrô e equipes de fiscalização. Também foram realizadas vistorias técnicas com os blocos, nas quais teriam sido definidos pontos críticos do trajeto, locais de acesso controlado e áreas reservadas para circulação de equipes de emergência.

Apesar do planejamento apresentado, o encontro dos dois megablocos resultou em superlotação, tumulto e falhas na dispersão do público. A investigação do Ministério Público deve apurar eventuais responsabilidades, a adequação do planejamento urbano e as condições de segurança adotadas para eventos de grande porte na região central da cidade durante o Carnaval.

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