Apesar de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguir nas pesquisas como um dos principais adversários para concorrer com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial de 2026, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado confirmou que seguirá com sua candidatura ao Palácio do Planalto até o final, ainda que tenha que sair do seu partido, o União Brasil. Em entrevista a rádio Nova Brasil, nesta terça-feira (27), ele confirmou que, caso o partido não apoie sua candidatura presidencial, ele sairá para outro que apoie.
“Eu já falei com o presidente do partido [União Brasil, Antônio] Rueda, com o ACM Neto [vice-presidente do partido], e já disse a eles que entendo a dificuldade do partido, só que nessa situação eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido para poder me candidatar [à Presidência]”, declarou Caiado.
“Eu irei até o fim. Estou em contato com outros partidos, o entendimento é de nós avançarmos para a nossa campanha e há algo a ser resolvido nos próximos dias”, completou o goiano, que não detalhou com que siglas está em contato.
Questionado sobre as chances de Flávio Bolsonaro herdar os votos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e consequentemente sair na frente da disputa, Caiado destacou que ainda é cedo para cravar uma força do adversário presidencial – sobre quem ele reiterou ter muito respeito –, mesmo com a benção do ex-presidente.
“Ninguém nega o prestígio de Jair Bolsonaro. Mas uma coisa é ele candidato, outra coisa é o candidato indicado dele. São coisas distintas. Por mais prestígio que a pessoa tenha, não consegue transmitir 100% dos votos”, afirmou o governador.
O Correio da Manhã conversou com a assessoria do governador, que confirmou que o goiano segue em articulações e conversas sobre possíveis mudanças. Contudo, reiterou que ele ainda não tomou uma decisão definitiva quanto a sair ou não do União Brasil. “O que ele reforçou é que se o União Brasil não lhe der a legenda, ele vai pra outra, mas não abrirá mão da candidatura”, destacou a comunicação do governador. A expectativa é que o tema seja definido oficialmente até março.
Candidatos
Considerando os principais candidatos para disputar a Presidência em outubro deste ano, o único candidato de esquerda é o presidente Lula. Para além do petista, Flávio Bolsonaro e Caiado, também estão os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). Os últimos levantamentos de intenções de votos apontam que os eleitores de Lula e demais eleitores de esquerda ou centro-esquerda aparentam estar relativamente unidos na intenção de reeleger Lula. Com a ausência de Bolsonaro, o centrão e a direita aparentam estar fragmentados na escolha do adversário de Lula.
No entanto, Ronaldo Caiado avaliou como positiva a presença de mais de um adversário na disputa presidencial. “O que o Lula quer é um só candidato [da direita]”, reiterou Caiado.
“Como você enfrenta com um candidato só uma máquina de governo? Vamos ser realistas. É um governo com uma máquina toda montada para explodir um candidato só. Imagina o nível de retaliação contra um candidato só durante dez meses? Este processo é um processo bruto. Então, se nós tivermos somente um candidato, ele terá dificuldades de caminhar de hoje até quatro de outubro. Se nós tivermos três, quatro, ele vai atirar em todos, mas não vai atingir o coração”, ponderou o governador.