A Prefeitura de Campinas informou que fará, nesta terça-feira (27), a supressão de uma árvore da espécie pau-ferro (Libidibia ferrea), localizada na rua Baronesa Geraldo de Resende, na região do Taquaral. Em comunicados oficiais sobre o bloqueio viário programado para a ação, a justificativa apresentada é a interferência da árvore na fiação da rede elétrica. No entanto, ao ser questionada sobre os motivos técnicos que levaram à decisão de derrubada, a administração municipal apontou outra causa: infestação por cupins e risco de queda.
De acordo com o Departamento de Parques e Jardins (DPJ), a árvore estaria infestada por cupins, inclusive com ninhos na copa, o que representaria perigo para pedestres e veículos que circulam pelo local. Em nota, o departamento afirma que a extração de árvores só ocorre “quando realmente é necessário”, após avaliação técnica e elaboração de laudo.
“A árvore está infestada de cupins, inclusive com ninhos na copa, e, por isso, apresenta grande risco de queda sobre veículos e pedestres”, informou o DPJ, acrescentando que a decisão foi tomada com base em avaliação técnica, cujo laudo foi anexado ao processo.
Especialistas, no entanto, contestam o procedimento adotado e afirmam que, em árvores de grande porte e alto valor ambiental, a decisão pela supressão não pode se basear apenas em avaliação visual externa.
Para o engenheiro florestal e agrônomo José Hamilton, mestre em Arborização Urbana e integrante do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), seria indispensável a realização de exames internos antes de qualquer corte. “Na minha opinião, é mais um caso em que deveriam ser feitos a tomografia de impulso e a resistografia. Não dá para saber a extensão interna do dano no colo da árvore apenas com avaliação externa”, afirma.
Segundo ele, somente com o uso desses equipamentos é possível verificar com precisão o comprometimento estrutural do tronco e das raízes. “Em árvores tão significativas, de alto valor paisagístico, ambiental, social, histórico e econômico, esses exames internos são fundamentais para a tomada de decisão, sempre em conjunto com a diagnose visual”, completa.
O especialista compara o caso ao recente corte de um ipê-rosa no bairro Guanabara, que gerou revolta de moradores e foi contestado por especialistas justamente pela ausência de exames técnicos mais aprofundados antes da supressão.
Bloqueio viário
Para a realização da extração, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) fará o bloqueio viário de um trecho da rua Baronesa Geraldo de Resende nesta terça-feira (27), a partir das 8h30. A interdição ocorrerá no trecho entre a rua Dona Maria Umbelina Couto e a avenida Barão de Itapura. Ainda não há previsão de término dos trabalhos.
A ação será realizada de forma conjunta pelo Departamento de Parques e Jardins e pela CPFL Energia. Segundo o release oficial da prefeitura, o bloqueio é necessário “por conta da fiação da rede elétrica”.
A Emdec programou desvio de tráfego pelas vias Dona Maria Umbelina Couto, Pedro Anderson e avenida Barão de Itapura. A interdição também afeta o itinerário da linha de ônibus 371 (Estação Parque Prado).
Agentes da Mobilidade Urbana estarão no local para orientar motoristas e realizar as intervenções necessárias. A prefeitura informa ainda que a execução do serviço poderá ser alterada em função das condições climáticas.
Dúvidas sobre a circulação podem ser esclarecidas pelo telefone 118, o “Fale Conosco Emdec”. Para chamadas realizadas a partir de outra cidade ou DDD, o contato é o (19) 3731-2910, que também funciona como WhatsApp. Informações adicionais estão disponíveis no site e no aplicativo da Emdec.