Os Estados Unidos recuaram da acusação judicial de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, era chefe do Cartel de Los Soles, designado por Washington como uma organização narcoterrorista.
A informação foi revelada pelo jornal The New York Times nesta terça-feira (3), três dias depois de forças dos Estados Unidos atacarem a Venezuela e sequestrarem Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Segundo a notícia, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos reescreveu a denúncia apresentada à Justiça americana originalmente em 2020 e alterou de forma significativa a linguagem usada contra Maduro.
A acusação de que Maduro chefiava o cartel foi reforçada ao longo de 2025 durante a escalada de tensões entre Washington e Caracas.
Na nova peça judicial, divulgada no sábado (3) após a prisão de Maduro, o chavista deixa de ser descrito como “chefe de uma organização narcoterrorista” e passa a ser acusado de participar, proteger e perpetuar um sistema de corrupção ligado ao tráfico de drogas, do qual teria lucrado politicamente.
O Cartel de Los Soles, por sua vez, aparece apenas de forma residual na nova acusação e é tratado como um termo genérico para práticas ilícitas associadas a setores da elite civil e militar venezuelana, e não mais como uma estrutura criminosa centralizada sob comando direto de Maduro.
A mudança ocorre apesar do discurso duro mantido pela Casa Branca durante a ofensiva militar que resultou no sequestro de Maduro e de sua esposa, uma ação que provocou forte reação negativa da comunidade internacional e abriu um debate global sobre soberania e precedentes militares.
Mesmo com o recuo retórico, Maduro continuará respondendo às mesmas quatro acusações graves na Justiça americana, incluindo conspiração para narcoterrorismo e tráfico de cocaína, além de crimes relacionados a armas pesadas.
Em audiência em Nova York, na segunda-feira (5), Maduro se declarou inocente e afirmou ser um prisioneiro de guerra, enquanto o governo venezuelano classificou a ação dos Estados Unidos como um sequestro ilegal.
Especialistas em crime organizado apontam que o Cartel de Los Soles nunca teve uma hierarquia clara e funciona como uma rede difusa de interesses, o que ajuda a explicar a revisão do discurso jurídico americano após a captura do líder venezuelano.