Diversas regiões do país enfrentam ondas de calor, com temperaturas muito acima do normal e por vários dias consecutivos, desde que o Verão começou, em 21 de dezembro. Diante desse cenário, pesquisadores e profissionais de saúde reforçam os alertas sobre impactos do calor extremo no organismo e cuidados indispensáveis para reduzir riscos.
A permanência prolongada em ambientes quentes é especialmente perigosa para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, em especial problemas cardíacos. Isso porque o corpo humano tenta manter a temperatura interna próxima de 36 °C e, diante do calor intenso, aciona mecanismos de resfriamento, como a produção de suor.
Quando essa perda de líquidos não é reposta, o organismo passa a trabalhar além do normal para preservar a estabilidade térmica, ficando sob grande pressão, um desgaste que pode provocar desequilíbrios importantes e comprometer, em pouco tempo, o funcionamento de órgãos e sistemas vitais, de acordo com o Ministério da Saúde.
O que o calor faz no organismo? Veja como prevenir a hipertermia
Durante os dias mais quentes, é comum sentir cansaço, moleza ou até tontura. Porém, os efeitos das altas temperaturas vão além do simples desconforto: quando o termômetro dispara, o corpo precisa fazer um esforço maior para estabilizar sua temperatura, e isso pode trazer consequências importantes para a saúde.
Segundo o nutrólogo e clínico geral Jhone Michel Curti, diretor técnico do Hospital Santo Antônio de Louveira, o organismo reage imediatamente quando a temperatura ambiente sobe demais. “Para tentar se resfriar, o corpo aumenta a produção de suor e dilata os vasos sanguíneos”, explica. Esse mecanismo melhora a chamada termorregulação por evaporação, o resfriamento que ocorre quando o suor evapora na pele.
Porém, esse processo tem um custo: perdemos uma quantidade relevante de água e sais minerais. “Se essa reposição não acontece, começam a surgir sintomas como tontura, fraqueza, queda de pressão e mal-estar”, afirma o médico.
Quando o corpo deixa de dar conta: o que é a hipertermia
O quadro se agrava quando o organismo já não consegue manter a temperatura interna sob controle, situação conhecida como hipertermia. Nesses casos, a temperatura corporal sobe além do normal e o corpo perde a capacidade de se resfriar sozinho.
“É uma condição perigosa porque pode comprometer o cérebro, o coração e outros órgãos vitais. Sem atendimento rápido, há risco real para a vida”, alerta Curti.
Sintomas que merecem atenção
Entre os sinais mais frequentes de hipertermia estão: cansaço extremo; dor de cabeça; tontura; náuseas e vômitos; confusão mental; pele quente — que pode estar suada ou, em quadros avançados, até seca; aceleração dos batimentos cardíacos; desmaio nos casos mais graves.
Ao perceber esses sintomas, especialmente durante dias muito quentes, a recomendação é agir rapidamente.
Como se proteger durante a onda de calor
Para prevenir a hipertermia, preocupação crescente em cidades como Campinas neste período, o médico reforça algumas medidas básicas: beber água ao longo do dia, mesmo quando não houver sede; evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h; optar por roupas leves e de cores claras; reduzir atividades físicas intensas nos horários mais quentes; ter atenção redobrada com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, que são os grupos mais vulneráveis.
Se alguém apresentar sinais de hipertermia, a orientação é imediata: levar a pessoa para um local arejado, fresco e à sombra; oferecer água, desde que ela esteja consciente; ajudar no resfriamento do corpo, com ventilação, panos úmidos ou compressas frias nas axilas e virilhas; buscar atendimento médico o quanto antes.
O médico reforça que hidratar-se e observar os sinais do próprio corpo são atitudes decisivas para evitar complicações durante ondas de calor como a que atinge a região. Ele lembra ainda que as orientações seguem diretrizes internacionais, como as da Wilderness Medical Society e do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), utilizadas rotineiramente na prevenção e tratamento de problemas relacionados ao calor no Hospital Santo Antônio de Louveira.