O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) dos Estados Unidos prendeu o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) nesta segunda-feira (13). A informação foi confirmada pela Polícia Federal à GloboNews.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro (PL), Ramagem fugiu do Brasil em setembro de 2025, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Durante a investigação sobre a trama golpista, Ramagem foi proibido pelo STF de sair do país. Segundo a Polícia Federal, ele fugiu pela fronteira entre Roraima e a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não havia sido apreendido.
Em 30 de dezembro de 2025, o governo brasileiro formalizou o pedido de extradição de Ramagem aos Estados Unidos. O documento foi entregue pela embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado dos EUA.
Repercussão
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), em postagem nas redes sociais, defendeu que as garantias de Ramagem sejam respeitadas.
“Acabo de ser informado pela imprensa sobre a detenção do ex-deputado Ramagem. Acompanharemos com máxima atenção cada desdobramento deste caso, que ultrapassa uma situação individual e toca diretamente no respeito às garantias e à atuação de um parlamentar eleito pelo povo brasileiro”, afirmou.
“Confiamos no bom senso das autoridades dos Estados Unidos para compreenderem o contexto em que se insere este episódio, marcado por um cenário de forte tensão política no Brasil. Seguimos firmes na defesa da democracia, do equilíbrio entre os Poderes e do direito de representação legítima da nossa bancada. A verdade sempre prevalece”, concluiu o parlamentar.
Já o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) comemorou a notícia e lembrou ter pedido a prisão do bolsonarista quando ele fugiu do país.
“Alexandre Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração (ICE) nos Estados Unidos. Em novembro de 2025, após a sua fuga, requeri ao STF sua prisão preventiva, a inclusão de seu nome no alerta vermelho da Interpol e a extradição. O desfecho de hoje confirma a correção e a seriedade daquela iniciativa”, disse o petista.
“Posteriormente, em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes deferiu as medidas cabíveis, e em seguida o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição. O que se vê agora é o resultado concreto de uma atuação jurídica e firme, adotada no momento certo e com fundamento na defesa da ordem democrática”, acrescentou Lindbergh.
“Ninguém pode transformar fuga internacional em mecanismo de evasão da Justiça brasileira. Quem atentou contra a democracia deve responder por seus atos, com o devido processo legal e com a aplicação rigorosa da lei”, concluiu.